DESCOMPLICANDO O VEGANISMO
RECEITAS VEGANAS
Transição para o veganismo


31 outubro, 2018

Dia das Bruxas. Bem pertinente depois de o Brasil eleger um cara intolerante que, provavelmente, nos mandaria para a fogueira por não nos enquadrarmos nas ideias de mulher propostas pela igreja e sociedade machista. Mas, em meio a resistência, nada como um bolinho para aquecer o coração. Nesse clima de Halloween, decidi testar uma receita de bolo de abóbora vegano com especiarias.

Bolo de abóbora vegano

Por aqui, o sol dá as caras e, ao invés de abóbora decorada, a gente tem água de coco (e o ministério do meio ambiente acabando). Mas receitas com abóbora me lembram muito minha viagem à Disney, além de serem um símbolo da tradição de halloween. Fato é que esse é um bolinho gostoso não só para hoje, mas para todos os outros dias. Com um cafezinho do lado, então, hm, você precisa testar e ver por si próprio (olha só minha cara de felicidade de quem acertou um bolo sem crueldade!).

 

O blog está de carinha nova, você viu? Isso é um prelúdio de projetos que virão por aí ♥ Para ficar de olho nas novidades, se inscreve na newsletter!

 

Se você quer saber como fazer essa belezinha, dê o play, sim? Esse vídeo é resultado de improviso e vida real. Não sou Dani Noce, mas prometo que tem muito amor envolvido. A receita original de bolo de abóbora vegano é da Veganana, mas eu fiz as minhas adaptações.

 

 







22 outubro, 2018

Desde que eu comecei a acompanhar a Fran Guarnieri, o bichinho da organização me picou. Eu sou organizada? Não. Eu tento? Sim 😅 E, por isso, em 2018, me rendi ao planner, essa agenda sofisticada que, em teoria, ajuda no planejamento do seu dia, sonhos, objetivos, etc. Após uma pesquisa extensa na internet (sério!), escolhi o My Life Planner da Donna Dolce. Quase um ano depois, volto aqui para contar minha experiência e dar alguns conselhos para quem pretende se aventurar com um planner 2019.

 

 

O My Life Planner é para aquelas pessoas, que, realmente, têm disciplina para colocar no papel tudo o que essa lindeza permite. As possibilidades com esse planner são infinitas! Nele, você concentra cada detalhe da sua vida, justificando o tamanho. Olha só a estrutura dele no geral:

➳ Páginas Anuais: 
– Dados pessoais
– Calendário 2019, 2020, 2021
– Instruções de uso
– Planejamento anual
– Minha Rotina
– Projetos do ano
– Wishlist do ano
– Viagens programadas/Livros/Filmes
 







19 setembro, 2018

Eis que entra uma vegana no MasterChef Profissionais, a Drica Avelar. Todos os ativistas se animaram e pensaram: uhul, alguém para falar sobre veganismo em rede nacional e cozinhar algo além de cogumelos e batatas. Mas o pensamento não parou por aí. Nós também colocamos uma série de expectativas em cima de uma única pessoa. Passamos a enxergá-la como a porta do voz do veganismo, sem nem ao menos ela ter se candidatado ao posto. A próxima terça chegou e, com ela, caiu uma chuva de ignorância, grosseria e, supostas, decepções. Por quê? Ela cozinhou carne.

 

Decidi, então, ligar a câmera e bater um papo reto e sério com você, aí do outro ladinho. Se aconchegue, abra o coração e dê o play, sim? ❤

 

Vegana no MasterChef, minha opinião 🌱

 

 

Dito tudo isso no vídeo, vamos começar pelo básico: o programa não é vegano. Não é uma competição sobre quem faz a melhor receita com tofu e castanha de caju. Tem carne, muita, por sinal. Tem vaca entrando no programa, carne de jacaré, ovo de avestruz e partes de corpos de animais que você nunca imaginou que alguém, em sã consciência, comeria. A Drica entrou ciente disso. Eu e você sabemos disso. Então, por que achamos que algo mudaria nas regras? Nós somos tão especiais assim? Por que esperamos que a Drica fosse um exemplar de perfeição e calculasse antecipadamente todos os passos dela dentro do programa, no mercado e em frente ao fogão?

 

Ah, mas aí você pode relembrar a principal queixa de muitos veganos: a Drica cozinhou bacalhau em uma prova na qual não precisaria, necessariamente, cozinhar carne, onde a ideia era criar um receita sem sal. O fato de ter escolhido um prato com ingredientes de origem animal ao invés de um prato vegano foi um desserviço à causa. Ok, e o kiko? Quer dizer que a Fafella, por cozinhar carne para o filho, é menos vegetariana? Que se eu passar requeijão na torrada para minha namorada sou menos vegana?

 

Em seu canal do YouTube, a Drica conta como a pressão, o medo e a correria a fizeram falhar. Me doeu tanto ouvir isso… Porque, Drica, você não falhou. Você não precisa se justificar. Você não deve explicação aos veganos e a ninguém. Deixa a polícia vegana se estressar sozinha. Você está, sim, levando o veganismo a mais pessoas e inspirando muitos por aí. Eu que peço desculpas por ter ficado brava de início e concordado com a parcela que se decepcionou. Agora, eu sei que não adianta pregar compaixão se a gente não para um minuto para se colocar no lugar do outro.

vegana no masterchef - drica

Quando entrei no curso técnico, por exemplo, das 40 pessoas na sala, só a professora sabia o que significava o termo veganismo. O restante ficou com cara de desentendido quando me apresentei. Mas foi a partir daquele momento que 40 pessoas entenderam que existe uma alternativa aos produtos de origem animal. Foi com aquele “oi, meu nome é Luana, sou feminista e vegana” que 40 pessoas foram apresentadas a um estilo de vida mais afetivo, consciente, ético e transformador.

 

No curso, eu ainda precisei participar de aulas práticas com carne e fazer seminários sobre o leite. A nutrição tradicional não é vegana, afinal. Eu me incomodava? Sim. Da mesma forma que, para Drica e outros cozinheiros veganos, não deve ser fácil lidar com produtos de origem animal. Mas era algo que eu me propus a fazer, algo que eu queria muito concluir, assim como a Drica fez a inscrição sozinha, sem ninguém a obrigar, e sonha em ganhar o prêmio – e é melhor ela ganhar e usar o dinheiro em prol da causa ou outro que vai investir em mais crueldade?

 

Quando a gente entende que o mundo não é vegano, o X da questão é aprender a se adaptar e ainda manter seus ideais intactos. Se eu tivesse desistido, talvez, a minha amiga não virasse vegetariana e as professoras não teriam levado o assunto para dentro da sala de aula. Se a Drica saísse do programa, teria perdido a oportunidade de dizer ao Fogaça: não, eu não refoguei o cogumelo na manteiga porque a indústria leiteira é uma das mais cruéis.

 

Um outro detalhe que precisamos ressaltar por aqui: a Drica não é uma enciclopédia ambulante de veganismo. Ela não é a Jeovegan. Não é a obrigação dela veganizar o Brasil, ok? O veganismo é uma escolha que, apesar de impactar no coletivo, parte de uma consciência individual. Você não pode dizer que está decepcionado porque ela não pegou um alto falante e saiu dizendo no meio da prova: não é sua mãe não é seu leite, carnistas não passarão. Não pode se frustrar porque, em meio a pressão, ela pegou um bacalhau, enquanto a Ana fazia a contagem regressiva.

 

Assim como no feminismo, existem vertentes diferentes no veganismo e nenhuma está mais certa que a outra ou é melhor. São formas diferentes de encarar o movimento e está tudo bem. Se, no fim do dia, o objetivo é acabar com a exploração animal, quem somos nós para separar veganos nutella e veganos raiz?

 

Eu não gostaria que as pessoas que estão na transição para o veganismo sentissem que precisam se justificar a todo instante ou, então, que não podem errar. Ir contra o estilo de vida da maioria massiva da sociedade não é tarefa fácil. O veganismo é, sim, lindo e gratificante, mas o caminho até ele é árduo e existem muitas forças puxando a nossa resistência para trás. Por isso, o que precisamos é de apoio. De alguém que escute sem um tom de julgamento, que estenda a mão e não aponte o dedo. De um pontinho de luz para nos guiar, não palavras que machucam.

 

Drica, eu espero que você trilhe um longo caminho no programa e se sinta confortável para continuar impactando positivamente. Cada frase, cada prato e cada atitude podem ser a gota que faltava para alguém assistindo dar um próximo passo. E, por isso, te admiro pela força de ser a primeira a entrar no MasterChef e falar sobre esse assunto em um lugar onde a manteiga, o creme de leite a proteína animal reinam.

 

Por fim, te convido a pensar: onde a causa animal e onde o seu ego entram na história? Queremos provar que estamos certos pelos animais ou para nos sentirmos melhores? Nós pregamos por um veganismo cheio de culpa e frustrações ou com compaixão e amor?

 

Por mais respeito ao tempo do outro, os seus ciclos e sua força de vontade. Por mais reconhecimento ao entender que o outro está fazendo o possível dentro da sua rotina e limitações. Por mais empatia ✨

 

Qual é a sua opinião sobre o curioso caso da vegana no MasterChef? Compartilha comigo nos comentários, vou adorar saber 😊

 

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