30 março, 2017

Sempre achei que playlists são o tipo de post para quando estamos sem inspiração. E é exatamente isso o que está acontecendo aqui: falta inspiração quando o assunto é feminismo. Mas, ao mesmo tempo, essa playlist é algo que eu queria montar há um tempo, pois quando pesquisava músicas feministas no google me deparava com listas curtinhas que não me agradavam tanto. Cadê o pop? O funk? Clássicos como Like a Boy ou Baba?

PLAYLIST - musicas femininistas

No começo do ano, em li um livro chamado The Gifts Of Imperfection (já viu os posts sobre livros?). Nele, a autora nos incentiva a fazer uma playlist que ressalte seu verdadeiro eu. Bom, meu eu é feminista, certo? Eu até fiz uma playlist que faz com que eu me sinta mais real, mas acho que ela é pessoal demais para ser compartilhada. De qualquer forma, fica o convite para pensar nessas músicas que te representem e mais outras 50 para te empoderar, levantar bandeiras e mostrar ou (re)descobrir nosso poder.

 

Vamos deixar claro que eu não fiz a playlist pensando na cantora em si, mas na música. E nos meus gostos pessoais. Tem letra sobre ser independente, preconceito, violência doméstica, de superação, para aumentar autoestima, ignorando os ómi ou sobre descobrindo sua força como mulher.  Olha só algumas delas:

miley cyrus - músicas feministas

Miley Cyrus – Fu 

What makes you think I’ll stick around. I’m not as stupid as you sound and you sound really dumb right now (…) You’re not even worth this rhyme and I don’t, I don’t give a flyin. I don’t really have much to say, I was over it the second that I saw her name. I’ve got two-oh-oh-oh letters for you, one of them’s F, and the other one’s U. 

 

Tradução: O que faz você pensar que eu vou ficar por aqui. Não sou tão idiota quanto você parece e você parece muito idiota agora. Você nem vale a pena por esta rima. E eu não, não dou a mínima. Eu realmente não tenho muito a dizer, já tinha superado no segundo em que vi o nome dela. Eu tenho duas letras para você: uma delas é F e a outra é U.

 

Elza Soares – Maria da Vila Matilde 

Cadê meu celular? Eu vou ligar pro 180. Vou entregar teu nome e explicar meu endereço. Aqui você não entra mais, eu digo que não te conheço e jogo água fervendo. Se você se aventurar, eu solto o cachorro. E, apontando pra você eu grito: péguix guix guix guix. 

 

Mc Linn da Quebrada – Talento

Não adianta pedir que eu não vou te chupar escondida no banheiro. Você sabe que eu sou muito gulosa, não quero só p* eu quero o corpo inteiro. Nem vem com esse papo, feminina tu não come? Quem disse que linda assim, vou querer dar meu c* pra homem? Ainda mais da sua laia de raça tão específica, que acha que pode tudo, na força de deus e na glória da p*.

mary lambert - musicas feministas

Mary Lambert – Secrets 

They tell us from the time were young to hide the things that we don’t like about ourselves inside ourselves. I know I’m not the only one who spent so long attempting to be someone else. Well, I’m over it. I don’t care if the world know what my secrets are. 

 

Tradução: Eles dizem para nós quando somos jovens para esconder as coisas que não gostamos em si mesmos dentro de nós. Eu sei não sou a única que passou tanto tempo tentando ser outra pessoa. Bom, eu superei. Eu não ligo se o mundo souber quais são os meus segredos.

 

Pitty – Desconstruindo Amélia 

Ela foi educada pra cuidar e servir, de costume esquecia-se dela. Sempre a última a sair. Disfarça e segue em frente, todo dia, até cansar. E eis que de repente ela resolve então mudar. Vira a mesa, assume o jogo, faz questão de se cuidar. Nem serva, nem objeto. Já não quer ser o outro, hoje ela é um também. 

 

 

Esqueci alguma música? Conheciam? Tiveram uma surpresa boa? Me contem nos comentários! É engraçado como a música tem vários efeitos no nosso humor, lembranças e sentimentos. Então, por que não usar isso ao nosso favor, para nos fortalecer como protagonistas femininas? GRL PWR 💪🙋

 

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PLAYLIST - musicas femininistas

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30 janeiro, 2017

Eu deixei de lado a palavra igualdade depois de ir pela primeira vez na Marcha das Vadias. Independentemente do porquê da mobilização, o modo como eu me senti no meio daquelas mulheres militando para que outras mulheres fossem livres, me fez ter certeza de que eu estava no caminho certo. Fez com que eu me sentisse abraçada, completa, segura. E o quão difícil é para uma mulher se sentir protegida em uma sociedade que tanto nos aprisiona? Por isso, se você me perguntar qual é a base do feminismo, eu te respondo sem margem de dúvida: sororidade. Porque é, principalmente, por meio desse pacto feminino, dessa irmandade, que acontece o empoderamento. E é reconhecendo a nossa força que saímos do lugar. De mãos dadas.

como ter sororidade? feminismo na prática

Eu entendo o quão difícil pode ser quebrar essa barreira e tirar a ideia de competição da sua mente. Nós fomos criadas para ser rivais, sussurraram em nosso ouvido constantemente como temos que ser melhores que aquela garota, como ela vai roubar nosso namorado, como ela é fofoqueira, falsa, cheia de frescuras. Como se você fosse diferente, como se existisse um ideal de garota. Mas deixa eu te contar um segredo: do outro lado não existe esse estereótipo odioso, mas, sim, uma mulher igual a você. Que passa pelas mesmas frustrações e opressões e que pode te levar muito mais longe. Isso, é claro, se você deixar.

 

Sororidade, no entanto, nesse meio que nos empurra para longe uma das outras pode ser algo complicado de se colocar em prática. Lembre-se, porém, que tudo o que é construído pode ser desfeito e repensado. E não é isso que o feminismo nos incentiva a fazer o tempo todo? Enxergar a opressão para mudar e buscar novas formas de ser.

 

Se a sororidade ainda parece um conceito muito abstrato para você, aqui vão 10 passos para te ajudar a, na verdade, ajudar as amigas:

 

1 ➳ Seja gentil. Tão simples quanto dar bom dia ao porteiro. Dê um remédio de cólica para a colega que está sofrendo ou um absorvente para aquela que esqueceu, ajude com direções quem estiver perdida, indique lojas incríveis ou livros maravilhosos, empreste aquele seu vestido de casamento, avise se a etiqueta estiver para fora, o rímel borrado e o dente sujo de batom. É fácil: se uma mulher precisa de ajuda, ajude.

 

2 ➳ Espalhe a palavra do feminismo. Sabe aquela pessoa religiosa que sempre coloca Deus no meio de qualquer conversa como solução? Então, seja assim, mas substitua por discursos sobre autoestima, relacionamentos abusivos, aborto, autonomia, independência financeira e por aí vai. Quando ver alguma garota falando “aquela vadia”, interrompa e explique porque falar isso é errado. Se alguma mulher estiver com dúvida sobre pautas do feminismo, mande textos, vídeos, reportagens, o que puder para tentar explicar. Não feche a roda, plante a sementinha e faça com que mais e mais mulheres se encontrem. O feminismo pode, realmente, ser a salvação.

 

3 ➳ Não julgue. Pela roupa, cabelo, maquiagem ou atitude. Não interessa se você não usaria batom vermelho de dia, uma saia tão curta ou se não beijaria três caras em uma noite. Não importa se você quer transar depois do casamento, não fala palavrão e não bebe cerveja. A outra mulher tem total autonomia para escolher o que lhe faz bem, o que quer e isso não tem nada a ver comigo ou com você. Nós temos que apoiá-la a ser aquilo o que ela quer ser, não o que os outros esperam.

 

4 ➳ Nada é “mimimi”. Em discussões de facebook ou em uma mesa de bar, se uma mulher se incomodou com certa fala ou atitude, é porque tem algo de errado. E se ela acabou reagindo de um jeito considerado rude, tudo bem, é uma reação normal. Entenda e ofereça apoio. Nunca a coloque na posição de histérica e exagera. Dê voz a outra mulher.

 

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25 dezembro, 2016

Eu pensei em fazer esse post antes do natal, com dicas de como lidar com comentários machistas, homofóbicos, racistas, gordofóbicos, entre outros. Porém, ao fim deste 25 de dezembro, a única coisa que eu tenho a dizer é: não se cale, nem mesmo nas festas de fim de ano. Eu sei que esse pode não parecer o espírito natalino de união, mas comportamentos assim não devem passar despercebidos. Já diria Paola Carosella: vamos acender a luz na cara deles. Nem que seja o pisca pisca da árvore de natal.

NÃO SE CALE NEM MESMO NAS FESTAS DE FIM DE ANO - MACHISMO FIM DE ANO

Ok, não estou te pedindo para começar uma briga no meio da ceia. Não é a ideia jogar pratos para o alto e gritar ofensas. Mas não é justo que discursos errados se repitam todos os anos, sem que ninguém levante a voz para dizer: ei, você está equivocado. Porque discurso de ódio não é opinião. Se o seu tio está sendo machista, ele merece escutar tanto quanto aquele conhecido falando que lugar de mulher é na cozinha. Se seu primo está sendo lesbofóbico, esqueça as risadinhas constrangidas, ele também merece escutar como aquele moço aleatório no facebook comentando que Jesus criou o homem e a mulher (só escrevendo isso meus olhos se reviram).

 

Não releve porque é fim de ano atitudes que no dia a dia machucam, oprimem, excluem, matam. Se o machismo (e outros) não tira férias de fim de ano, por que a sua militância iria? Você não pode se calar. São os comportamentos errados que devem mudar. Não é você que tem que retirar da sala quando começam as piadas e comentários desnecessários, são essas piadas e comentários que precisam acabar.

 

Festas de fim de ano não são para causar angústia ou receio. É uma época para ser grato, relembrar momentos bons e estar com quem se ama – além de comer muito, é claro. Só que desde quando amor é motivo para dar um passo para trás e ignorar tudo aquilo o que você acredita? Família é café com leite? De novo: não estou falando para começar uma terceira guerra mundial, apenas diga a sua opinião sempre que julgar necessário. Explique. Com calma e respeito. Tente ser didática. Entenda que não se muda um pensamento da noite para o dia. Pense nas idades, nos contextos. E se não funcionar, mude o assunto.

 

Devo admitir, no entanto, que eu não sou a pessoa mais serena e pacífica do mundo. Mas eu não me calo. Nunca. Mando ficar quieto, falo que foi machista, mostro como estou incomodada, levanto a voz que tanto tentam me tirar os outros dias do ano. Afinal, se ninguém avisar para esse primo que ele está errado, o filho dele reproduzir o mesmo comportamento. E assim vai. De piadinha em piadinha, criando uma sociedade que objetifica, humilha, explora, oprime e cala tantas pessoas. Eu, como mulher e bissexual, vou levantar bandeiras até mesmo nas festas de fim de ano. Decoradas com o bom velhinho e guirlandas, mas vou. Doa a quem doer. 

 

Não deixe acontecer dentro da sua família o que você repudia na rua.

 

E que em 2017 eu não precise ressuscitar esse texto, que você não precise colocá-lo em prática e que certa pessoa da minha família enxergue seu machismo e homofobia. 

 

Será que existem milagres natalinos?

 

Créditos imagem: Veronica Dearly.

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