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12 junho, 2016

Hoje é dia dos namorados. Mas para quem? Definitivamente, não para o meu relacionamento. Peço desculpas a todo funcionário da parte de marketing que achou eu me sentiria contemplada ao colocar um casal de mulheres em sua propaganda. Sinto muito, mas não é assim que a banda toca, que a sociedade funciona. Isso não é suficiente. Se o Dia da Mulheres para todas nós é sinal de resistência, o dia 12 é mais um dia de luta para quem não se encaixa na heteronormatividade.

Dia dos namorados LGBT

Esse seria um dia lindo, se todo e qualquer casal pudesse compartilhar mensagens fofas nas redes sociais, sair para jantar sem receios ou sequer assumir o seu relacionamento. Sim, viva o amor, seja como ele for. Mas ao mesmo tempo em que muitos pensam assim, a outra metade – ou mais – não é nada receptiva. E não estou falando somente de agressões físicas ou verbais – homens que se acham bem vindos no meio de duas mulheres, estupros corretivos ou olhos roxos. Estou falando do funcionário da floricultura que me olhou com cara de desentendido quando eu disse o nome da minha namorada. Da minha prima que achou essa era só uma fase para irritar a família. Da diretora da minha antiga escola que se sentiu no direito de querer ligar para os meus pais para contar que eu estava com outra mulher. Ou da minha amiga que falou que me adora, mas não concorda.

 

Deve ser ótimo você poder beijar o seu namorado na plataforma do metrô depois de semanas ou meses sem se ver. Poder trocar o status de relacionamento no facebook sem ter que se perguntar antes se isso não te atrapalharia. Imagina ser livre para dizer o nome da pessoa com a qual namora em uma entrevista de emprego quando veem a sua aliança. E como é não duvidarem do seu relacionamento quando alguém pede o seu número ou tenta te beijar na balada? Como você se sente levando sua namorada em todo e qualquer evento familiar? Como é não ter ninguém duvidando dos seus sentimentos, arranjando desculpas para o seu relacionamento?

 

Ser um casal um hétero é maravilhoso. E o dia dos namorados é para vocês. Na televisão, na rua, nas lojas. Eu não posso comprar uma caneca que se encaixa para a minha namorada em um shopping convencional. Às vezes, nem um cartão. Eu tenho que desconfiar de toda pessoa que passa, repara que namoro uma mulher e fica encarando. Eu preciso me preservar o tempo inteiro, com medo de reações negativas com as quais eu não sei lidar, com medo da falta de empatia.

 

Beijar na rua para vocês é sinal de afeto, para nós é ato político. Colocar uma foto no instagram com seu namorado é mostrar o seu amor, para nós é levantar bandeiras. Comprar presentes para vocês parte do pressuposto da surpresa, para nós da dificuldade em nos sentir representados. O amor de vocês é lindo, o nosso é para incomodar, cutucar o conservadorismo que sempre tenta nos colocar de lado. O meu amor é uma ameaça ao sexismo, patriarcado e socialização de gênero, o seu é fofinho.

 

Que fique registrado aqui o meu feliz dia dos namorados para os casais que ainda não conseguiram assumir que namoram, para os que já ouviram que seu relacionamento é para chamar atenção, que sofreram na escola, na rua, em casa. Para os casais que escutam como se devem comportar e o que devem falar para não serem gays “demais”, para os que precisaram mentir e omitir, para os que não se sentem contemplados pela mídia e na política, que escutaram que devem morrer ou vão para o inferno. Para os casais que querem e lutam por respeito, segurança, liberdade e voz. Para os que morreram ontem no atentado em Orlando, para os que já derramaram sangue por não se esconder. Para os que sabem que o nosso amor não cabe nesse dia dos namorados, porque para ele acontecer a nossa força e vontade é muito maior. Porque o nosso amor é resistência. Feliz dia dos namorados.


Hoje é dia dos namorados. Mas para quem? Definitivamente, não para o meu relacionamento. Peço desculpas a todo funcionário da parte de marketing que achou eu me sentiria contemplada ao colocar um casal de mulheres em sua propaganda. Sinto muito, mas não é assim que a banda toca, que a sociedade funciona. Isso não é suficiente. Se o Dia da Mulheres para todas nós é sinal de resistência, o dia 12 é mais um dia de luta para quem não se encaixa na heteronormatividade.

Dia dos namorados LGBT

Esse seria um dia lindo, se todo e qualquer casal pudesse compartilhar mensagens fofas nas redes sociais, sair para jantar sem receios ou sequer assumir o seu relacionamento. Sim, viva o amor, seja como ele for. Mas ao mesmo tempo em que muitos pensam assim, a outra metade – ou mais – não é nada receptiva. E não estou falando somente de agressões físicas ou verbais – homens que se acham bem vindos no meio de duas mulheres, estupros corretivos ou olhos roxos. Estou falando do funcionário da floricultura que me olhou com cara de desentendido quando eu disse o nome da minha namorada. Da minha prima que achou essa era só uma fase para irritar a família. Da diretora da minha antiga escola que se sentiu no direito de querer ligar para os meus pais para contar que eu estava com outra mulher. Ou da minha amiga que falou que me adora, mas não concorda.

 

Deve ser ótimo você poder beijar o seu namorado na plataforma do metrô depois de semanas ou meses sem se ver. Poder trocar o status de relacionamento no facebook sem ter que se perguntar antes se isso não te atrapalharia. Imagina ser livre para dizer o nome da pessoa com a qual namora em uma entrevista de emprego quando veem a sua aliança. E como é não duvidarem do seu relacionamento quando alguém pede o seu número ou tenta te beijar na balada? Como você se sente levando sua namorada em todo e qualquer evento familiar? Como é não ter ninguém duvidando dos seus sentimentos, arranjando desculpas para o seu relacionamento?

 

Ser um casal um hétero é maravilhoso. E o dia dos namorados é para vocês. Na televisão, na rua, nas lojas. Eu não posso comprar uma caneca que se encaixa para a minha namorada em um shopping convencional. Às vezes, nem um cartão. Eu tenho que desconfiar de toda pessoa que passa, repara que namoro uma mulher e fica encarando. Eu preciso me preservar o tempo inteiro, com medo de reações negativas com as quais eu não sei lidar, com medo da falta de empatia.

 

Beijar na rua para vocês é sinal de afeto, para nós é ato político. Colocar uma foto no instagram com seu namorado é mostrar o seu amor, para nós é levantar bandeiras. Comprar presentes para vocês parte do pressuposto da surpresa, para nós da dificuldade em nos sentir representados. O amor de vocês é lindo, o nosso é para incomodar, cutucar o conservadorismo que sempre tenta nos colocar de lado. O meu amor é uma ameaça ao sexismo, patriarcado e socialização de gênero, o seu é fofinho.

 

Que fique registrado aqui o meu feliz dia dos namorados para os casais que ainda não conseguiram assumir que namoram, para os que já ouviram que seu relacionamento é para chamar atenção, que sofreram na escola, na rua, em casa. Para os casais que escutam como se devem comportar e o que devem falar para não serem gays “demais”, para os que precisaram mentir e omitir, para os que não se sentem contemplados pela mídia e na política, que escutaram que devem morrer ou vão para o inferno. Para os casais que querem e lutam por respeito, segurança, liberdade e voz. Para os que morreram ontem no atentado em Orlando, para os que já derramaram sangue por não se esconder. Para os que sabem que o nosso amor não cabe nesse dia dos namorados, porque para ele acontecer a nossa força e vontade é muito maior. Porque o nosso amor é resistência. Feliz dia dos namorados.


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8 Comentários em “Dia dos namorados LGBT: quando amar é resistir”


Rafaela Arnoldi

Eu li seu relato com dor, dor de não poder fazer nada e nem sequer imaginar o que é sentir isso; mas, sintam-se abraçadas, amadas por alguém que só quer que vocês tenham a mesma liberdade de amar. Vocês não estão sozinhas, tem gente aqui que mesmo não compartilhando e não podendo sentir esta dor, vai lutar pra diminuir a de vocês <3

Luana

Rafa ♥ Obrigada ♥♥♥ Muito amor!

Mariana Menezes

Nossa, Lu. Que texto lindo e forte. Não tenho a mínima noção do que você e as outras pessoas que têm um relacionamento homoafetivo passam, me deixa MUITO chateada ver essas coisas e não poder fazer absolutamente nada. Realmente concordo com tudo o que falou, não mudaria uma vírgula. Nunca havia pensado desta forma pois não estou na sua pele, porém consegui senti as dores. Lindas palavras, e força porque por mais que tenham – infelizmente – as pessoas que não aceitam, não respeitam e não entendem, existem aquelas que sempre estarão ao lado de vocês para apoiar, viu? <3

Luana

Obrigada, Mari ♥
Ler essas coisas enche meu coração de amor!

Mari Bitencourt

Fiquei muito emocionada com seu texto, me tocou profundamente.
Infelizmente, esse mundo é uma merda! Sim, uma merda!
As pessoas ainda pensam que podem decidir o certo ou o errado na vida do outro.
Sabe o que fico indignada?
Falando com amigas evangélicas, elas me disseram que amam os gays, mas que não concordam com o que são! Oi? Não consigo entender, onde está escrito que alguém pode concordar ou discordar de alguma coisa. Não!
Tenho amigos gays, que fazem muito mais o bem que algumas pessoas que vivem dentro de uma igreja apontando o certo e o errado. Queria falar comemore, beije em público, mas sei o que vc passa. Não na pele, mas não é fácil sofrer preconceito.
Eu, acredito no amor!!! Mas infelizmente eu sou a minoria.
Enfim, me desculpe pelo textão, mas esse assunto mexe comigo de verdade, tenho muitos amigos gays, muitos!!!
Bjs

Luana

Foi a mesma coisa que a minha amiga me disse: te amo, mas não concordo! Então como você me ama??
Obrigada pelo apoio, Mari ♥

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