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20 abril, 2016

babacas com boas referências

Preparem-se: esse post é um desabafo.

 

Normalmente, na primeira aula de um professor, sempre rola uma dinâmica básica: seu nome, o que você gosta, quantos anos você tem, porque escolheu o curso… E até aí, tudo bem. Mas entre em uma sala de jornalismo (e tantas outras salas simbólicas) e pergunte “qual o seu livro ou filme favorito?”. Aí de mim se responder Miley Cyrus e High School Musical. Ops. Quer dizer, aí nada! Demorei dois anos para desconstruir isso e entender que, não, mon amour, você não é melhor porque seu livro preferido é do Nietzsche – que, inclusive, eu precisei pesquisar para escrever.

 

Acho ótimo você se interessar pelos clássicos, Samuel Beckett, filmes independentes, Kubrick, e todo esse blábláblá underground, fora da indústria cultural (como eu cansei de escutar isso no jornalismo, socorro!), alternativo, que não tem espaço na mass media. Cara, parabéns, sério mesmo. Eu também tenho o meu lado que procura, analisa e tem curiosidade por coisas diferentes. Só que entenda uma coisa, é simples, eu juro. Dane-se. Ninguém quer saber. Ninguém se importa. Você não subiu dois degraus na escada da vitória por entender Kafka e escutar só MPB.

 

Eu entendo que temos gostos diferentes. Eu gosto de pop, você de rock. Eu gosto de terror, você de drama. O problema, no entanto, começa quando você subestima e inferioriza outras pessoas porque elas gostam de One Direction, livros chick-lit ou filmes de comédia romântica com a Jennifer Aniston. Quando você chama essas pessoas de alienadas ou diz que elas não têm cultura.

 

Olha, vem aqui, deixa eu te contar outra coisa, uma história minha. Quando eu entrei na faculdade, me senti um peixe fora d’água. Sempre tive acesso à informação, aos clássicos, a tudo àquilo o que essa galera, talvez, considere melhor, bem feito e com conteúdo – seja lá o que isso significa. Só que eu nunca quis passar o meu final de semana lendo um livro sobre cibercultura. Nunca andei de metrô escutando rap nacional. Sempre fui mais ao Cinemark do que Espaço Itaú de Cinema. E enquanto eu via tanta gente falando sobre coisas com as quais eu, simplesmente, não me identificava e escutava debates na sala com professores e alunos falando que ser youtuber e ler Crepúsculo é uma besteira, eu me sentia cada vez mais e mais inferior.

 

Eu nem vou entrar no mérito da periferia aqui, porque aí a coisa é mais embaixo, bem mais feia, bem mais complicada! E até porque esse não é o meu lugar de fala. Mas é um tópico para muitos questionamentos e desconstrução. De qualquer maneira, voltando…

 

Cansei de ouvir professor falando mal de livros best-seller, músicas pop, sertanejo e filmes de Hollywood. Cansei de gente me olhando feio porque eu gosto de coisas comerciais, que tocam na rádio, passam naqueles cinemas com acesso pelo metrô e estão nas primeiras prateleiras de uma livraria. Cansei de academicismo e elitismo. Cansei de ficar pensando no que eu deveria responder quando me perguntam qual é o meu livro preferido. Cansei de ter medo de acharem que eu não sou inteligente o suficiente porque eu não gosto de livros complicados de filosofia. Cansei de me julgarem porque eu não sou fã de Clarice Lispector, Beatles e Almodóvar.

 

Vamos falar de outro comportamento chato? Clica aqui para descobrir se você conhece (ou é!) um one upper

 

Eu não sei se isso é uma disputa de ego, falta de autoestima, necessidade de ser diferente ou seja lá o que se passa na cabeça dessas pessoas. Não sei se é exclusividade da minha faculdade ou do meu círculo de amigos nas redes e na vida. Ah, ok, mas nem tudo é tão ruim! Por exemplo, eu amava o meu professor de sociologia porque ele usava Vida de Inseto e Azul é a Cor Mais Quente como exemplos nas aulas. Nunca vi aquele homem colocar certas produções abaixo de outras. Nunca vi ele desmerecer qualquer forma de arte, cultura, expressão. E, que tal, o resto do mundo seguir esse exemplo?

 

Porque você não é melhor pelo que lê, ouve, vê e faz! Às vezes, você é só um babaca com boas referências. Eu prefiro ler Glamour a Revista Cult, Demi Lovato a Chico Buarque e assistir a programas do Discovery Home & Health a filmes estrangeiros. E, tudo bem, entende? O problema é meu! E, você, que solta um aff quando alguém responde que ama Justin Bieber, precisa parar. Só parar. Sério, para! Porque não faz sentido algum.

 

Já conheci muita gente com esses gostos mais refinados que são arrogantes (prepotentes mesmo, sabe?), que não te dão nenhum oi quando te veem na rua, que não pedem desculpa quando esbarram em você, que não sorriem pro garçom, que nunca deram um centavo para uma instituição de caridade, que maltratam animais, que chamam empregadas de burras (não nessas palavras, mas), que não dividem guarda-chuva, que não tem sororidade, que julgam qualquer pessoa, que distribuem grosserias de graça, que silenciam quem não se encaixa nos seus requisitos de “gente legal” e por aí vai. De que adianta você ler Foucault se você é um ignorante? Com o universo, as pessoas ao seu redor, com si mesmo.

 

Vale a pena se vangloriar se você não é simpático com quem senta ao seu lado no ônibus? Se você fala mal dos outros até não querer mais? Se você não leva para vida nada do que você poderia consumindo esse tipo de arte? Se você se acha superior por isso? Desculpa, mas eu não sou alienada. Alienado é você que prefere se fechar no seu próprio mundinho. Que exclui, desrespeita e desvaloriza. E elitismo, meu bem, me dá nojo. 

 

Por outro lado, se você é uma pessoa bacana, com boas referências, que tem seu gosto e não se engradece por isso: parabéns. Você está fazendo isso certo. Você curte suas músicas, livros, filmes e passeios sossegada, sem querer esfregar essas coisas na cara dos outros? Você não critica aquilo fora da sua realidade? Você entende que o mundo não gira em torno do seu umbigo e querer que todos sejam cult (ai, que palavra péssima!) é puro elitismo? Então, parabéns de novo! Me dá um abraço e vamos ser amigos. Você, com sua idolatria por Tropicália e eu com meus DVDs e CDs da Miley Cyrus. 

 

Que fique claro para todas as pessoas que passaram na minha mente enquanto eu escrevia isso: se eu sou massa demais para você, saiba que você também é cult e diferentão demais para o meu gosto. Eu prefiro rebolar a bunda ouvindo Rihanna e escutar Nicki Minaj no metrô. Adoro livros de ficção, com cavalos mágicos e anjos caídos, e passo horas e horas assistindo minhas youtubers preferidas. Sempre escolho filmes de terror bregas ao invés dos indicados para o Oscar. Só que isso, meu bem, (surpresa, surpresa) não define inteiramente quem eu sou. E muito menos te faz melhor que eu. Ou qualquer outro ser humano no planeta. E em outros planetas. É, ainda bem que eu entendi isso a tempo.


babacas com boas referências

Preparem-se: esse post é um desabafo.

 

Normalmente, na primeira aula de um professor, sempre rola uma dinâmica básica: seu nome, o que você gosta, quantos anos você tem, porque escolheu o curso… E até aí, tudo bem. Mas entre em uma sala de jornalismo (e tantas outras salas simbólicas) e pergunte “qual o seu livro ou filme favorito?”. Aí de mim se responder Miley Cyrus e High School Musical. Ops. Quer dizer, aí nada! Demorei dois anos para desconstruir isso e entender que, não, mon amour, você não é melhor porque seu livro preferido é do Nietzsche – que, inclusive, eu precisei pesquisar para escrever.

 

Acho ótimo você se interessar pelos clássicos, Samuel Beckett, filmes independentes, Kubrick, e todo esse blábláblá underground, fora da indústria cultural (como eu cansei de escutar isso no jornalismo, socorro!), alternativo, que não tem espaço na mass media. Cara, parabéns, sério mesmo. Eu também tenho o meu lado que procura, analisa e tem curiosidade por coisas diferentes. Só que entenda uma coisa, é simples, eu juro. Dane-se. Ninguém quer saber. Ninguém se importa. Você não subiu dois degraus na escada da vitória por entender Kafka e escutar só MPB.

 

Eu entendo que temos gostos diferentes. Eu gosto de pop, você de rock. Eu gosto de terror, você de drama. O problema, no entanto, começa quando você subestima e inferioriza outras pessoas porque elas gostam de One Direction, livros chick-lit ou filmes de comédia romântica com a Jennifer Aniston. Quando você chama essas pessoas de alienadas ou diz que elas não têm cultura.

 

Olha, vem aqui, deixa eu te contar outra coisa, uma história minha. Quando eu entrei na faculdade, me senti um peixe fora d’água. Sempre tive acesso à informação, aos clássicos, a tudo àquilo o que essa galera, talvez, considere melhor, bem feito e com conteúdo – seja lá o que isso significa. Só que eu nunca quis passar o meu final de semana lendo um livro sobre cibercultura. Nunca andei de metrô escutando rap nacional. Sempre fui mais ao Cinemark do que Espaço Itaú de Cinema. E enquanto eu via tanta gente falando sobre coisas com as quais eu, simplesmente, não me identificava e escutava debates na sala com professores e alunos falando que ser youtuber e ler Crepúsculo é uma besteira, eu me sentia cada vez mais e mais inferior.

 

Eu nem vou entrar no mérito da periferia aqui, porque aí a coisa é mais embaixo, bem mais feia, bem mais complicada! E até porque esse não é o meu lugar de fala. Mas é um tópico para muitos questionamentos e desconstrução. De qualquer maneira, voltando…

 

Cansei de ouvir professor falando mal de livros best-seller, músicas pop, sertanejo e filmes de Hollywood. Cansei de gente me olhando feio porque eu gosto de coisas comerciais, que tocam na rádio, passam naqueles cinemas com acesso pelo metrô e estão nas primeiras prateleiras de uma livraria. Cansei de academicismo e elitismo. Cansei de ficar pensando no que eu deveria responder quando me perguntam qual é o meu livro preferido. Cansei de ter medo de acharem que eu não sou inteligente o suficiente porque eu não gosto de livros complicados de filosofia. Cansei de me julgarem porque eu não sou fã de Clarice Lispector, Beatles e Almodóvar.

 

Vamos falar de outro comportamento chato? Clica aqui para descobrir se você conhece (ou é!) um one upper

 

Eu não sei se isso é uma disputa de ego, falta de autoestima, necessidade de ser diferente ou seja lá o que se passa na cabeça dessas pessoas. Não sei se é exclusividade da minha faculdade ou do meu círculo de amigos nas redes e na vida. Ah, ok, mas nem tudo é tão ruim! Por exemplo, eu amava o meu professor de sociologia porque ele usava Vida de Inseto e Azul é a Cor Mais Quente como exemplos nas aulas. Nunca vi aquele homem colocar certas produções abaixo de outras. Nunca vi ele desmerecer qualquer forma de arte, cultura, expressão. E, que tal, o resto do mundo seguir esse exemplo?

 

Porque você não é melhor pelo que lê, ouve, vê e faz! Às vezes, você é só um babaca com boas referências. Eu prefiro ler Glamour a Revista Cult, Demi Lovato a Chico Buarque e assistir a programas do Discovery Home & Health a filmes estrangeiros. E, tudo bem, entende? O problema é meu! E, você, que solta um aff quando alguém responde que ama Justin Bieber, precisa parar. Só parar. Sério, para! Porque não faz sentido algum.

 

Já conheci muita gente com esses gostos mais refinados que são arrogantes (prepotentes mesmo, sabe?), que não te dão nenhum oi quando te veem na rua, que não pedem desculpa quando esbarram em você, que não sorriem pro garçom, que nunca deram um centavo para uma instituição de caridade, que maltratam animais, que chamam empregadas de burras (não nessas palavras, mas), que não dividem guarda-chuva, que não tem sororidade, que julgam qualquer pessoa, que distribuem grosserias de graça, que silenciam quem não se encaixa nos seus requisitos de “gente legal” e por aí vai. De que adianta você ler Foucault se você é um ignorante? Com o universo, as pessoas ao seu redor, com si mesmo.

 

Vale a pena se vangloriar se você não é simpático com quem senta ao seu lado no ônibus? Se você fala mal dos outros até não querer mais? Se você não leva para vida nada do que você poderia consumindo esse tipo de arte? Se você se acha superior por isso? Desculpa, mas eu não sou alienada. Alienado é você que prefere se fechar no seu próprio mundinho. Que exclui, desrespeita e desvaloriza. E elitismo, meu bem, me dá nojo. 

 

Por outro lado, se você é uma pessoa bacana, com boas referências, que tem seu gosto e não se engradece por isso: parabéns. Você está fazendo isso certo. Você curte suas músicas, livros, filmes e passeios sossegada, sem querer esfregar essas coisas na cara dos outros? Você não critica aquilo fora da sua realidade? Você entende que o mundo não gira em torno do seu umbigo e querer que todos sejam cult (ai, que palavra péssima!) é puro elitismo? Então, parabéns de novo! Me dá um abraço e vamos ser amigos. Você, com sua idolatria por Tropicália e eu com meus DVDs e CDs da Miley Cyrus. 

 

Que fique claro para todas as pessoas que passaram na minha mente enquanto eu escrevia isso: se eu sou massa demais para você, saiba que você também é cult e diferentão demais para o meu gosto. Eu prefiro rebolar a bunda ouvindo Rihanna e escutar Nicki Minaj no metrô. Adoro livros de ficção, com cavalos mágicos e anjos caídos, e passo horas e horas assistindo minhas youtubers preferidas. Sempre escolho filmes de terror bregas ao invés dos indicados para o Oscar. Só que isso, meu bem, (surpresa, surpresa) não define inteiramente quem eu sou. E muito menos te faz melhor que eu. Ou qualquer outro ser humano no planeta. E em outros planetas. É, ainda bem que eu entendi isso a tempo.


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15 Comentários em “Ei, se liga, você é só um babaca com boas referências!”


Juliana

Parabéns pelo texto. Realmente você falou algo certo. No começo do post eu até vinha pensando: talvez isso faça de alguém melhor… Mas foi da metade pro final que você me ganhou nos argumentos. Ninguém é melhor do que ninguém porque leu ou gosta de tal coisa. Simplesmente digno de ser compartilhado :)

Beijos!

Luana

Obrigada, Ju! ♥♥
Sim, isso é só o seu gosto! Não te faz uma pessoa mais evoluída haha :)

Clara Fagundes

Lu, concordo bastante com isso. Eu sempre fui nerdona e viciada em ler e em cinema, o que me fez conviver com outros nerds e viciados em ler e cinema e ouvir muito comentário idiota desse tipo. Sempre discordei, mesmo se fosse aquele tipo de “elogio” que te elogia pra denegrir outra pessoa. Por exemplo, dizer que um filme cult que ninguém entendeu (porque não leu o livro, por exemplo) é *um filme pra poucos*. Não, não é, é só um filme que falhou na missão de ser uma obra independente de entretenimento. Se era necessário ter o lido o livro pra entender, nem tinha por que ter filme, né? E daí por diante. Tenho 0 paciência pra gente arrogante, ainda mais com isso de preferências pessoais que não dizem respeito a ninguém.

Luana

Exato, Clarinha! Odeiiiio isso de uma obra é “para poucos”, eu prefiro coisa do povão mesmo! haha Que todo mundo é capaz de entender e curtir!

Isabelle Lorrayne

Meu Deus, precisa de ler um texto desse!! Concordo 100% com o que você disse!!!
Eu bem me encaixava nesse quesito de às vezes julgar as pessoas pelo gosto musical por exemplo. Mas hoje em dia, taco um “foda-se” bonito. Quer escutar seu 1D ou Chico Buarque escute, desde que me deixe em paz escutando 5SOS e Kansas! hahaha É tão bom desapegar dessas coisinhas mínimas, e que falam tão pouco sobre a gente na maioria das vezes!!!
Amei seu post <3

Beijos,
http://www.notavelleitura.blogspot.com

Luana

Cada um no seu canto, com os seus gostos né? :) haha
Siiiim, às vezes você deixa de se aproximar de alguém incrível só porque acha ele inferior pelo gosto musical ou pra filmes ou pra seilá o que. Uma bobeira!

Maria Eduarda

Amei esse texto <3 Isso aí,não gosto desse tipo de gente que se acha cult,underground,que quer ser diferente e fica julgando os outros.Já cansei de ouvir "Vocês são todos uns alienados!" "Porque você gosta disso?".Eu não gosto de muita coisa,que muita gente adora,e nem por isso julgo os outros.Esse texto é um tapa na cara dessa "sociedade altrnativa".Beijos :3

http://everything2k.blogspot.com.br/

Luana

Que bom que gostou, Duda!
Se tem uma coisa que eu odeio, é a palavra “cult” haha Meu Deus! E se tem outra coisa que eu odeio: é gente que acha que ser “alternativo” é ser melhor, coitados…

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Andreza

Cara, nem sei o que falar sobre seu texto. Mas vou fazer um desabafo também: a acadêmia está me sufocando!
Esse padrão elitista que tentam nos encaixar a força, que um pensamento não científico não é válido, isso me irrita. PRA CARACA. Curso biblioteconomia e me sinto MAL quando digo que leio Bridget Jones. Isso não é certo. De verdade. Não sei se o que eu disse vai ter algum nexo pra você. Juro que tentei.

Luana

Entendo total o que você sente! É um saco esse elitismo.

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