DESCOMPLICANDO O VEGANISMO
RECEITAS VEGANAS
Transição para o veganismo


29 agosto, 2017

Esse post estava no meu drive há cerca de dois meses. Nunca o terminei, por preguiça e ir encontrando outras temas mais relevantes. Mas depois do que aconteceu com a Clara dentro de um Uber, esse post se fez necessário.

 

Recomendo passear na hashtag #MeuMotoristaAbusador no facebook para entender como ser mulher é viver constantemente com medo. De sair à noite, de voltar sozinha para casa, de usar certa roupa, de dizer não e, agora, até mesmo de andar de uber ou táxi.

UBER PARA MULHERES - MEU MOTORISTA ABUSADOR

Sei bem como é ficar apreensiva pegando um serviço de transporte particular de madrugada, depois de uma festa ou se sentir incomodada com comentários desnecessários dentro do carro. Nunca passei por situações piores, que envolveram algo físico ou outras formas de abuso, mas sei de muitas que passaram por isso.

 

Chegou a hora de quebrar o silêncio, mulheres.

 

Até mesmo nas situações em que deveríamos nos sentir seguras (dentro de casa, da escola, do hospital, de um táxi) temos que nos preocupar e estamos vulneráveis à violência. O mundo é um lugar horrível para ser mulher, disse a Clara. Mas ainda resta a força e a empatia umas das outras para nos apoiar e tentar mudar alguma coisa.

 

E esse post é um lembrete de que existem serviços alternativos para que você, mulher, se sinta mais segura.

 

Opção “motorista mulher” no 99 táxi

 

Esse é um aplicativo tão conhecido quanto o Uber, apesar de ter mais funcionalidades. Ele foi um dos primeiros que usei, mas acabei deixando de lado porque o Uber costuma ter o preço menor. Pena que o Uber erra cada dia mais no serviço.

 

De qualquer forma, na hora de pedir uma corrida no 99, você consegue escolher a opção “motorista mulher”. E funciona. Pode demorar mais para achar alguém por perto, mas, pelo menos, você não se sentirá receosa de entrar sozinha no carro.

 

Porque só quem é mulher sabe o alívio que é encontrar outra mulher.

 

Lady Driver

UBER PARA MULHERES - LADY DRIVER

Um aplicativo criado justamente após uma mulher ser assediada dentro de um táxi. Isso aconteceu com Gabriela Correa e desde aquele dia decidiu que nenhuma mulher deveria passar pelo mesmo. Por isso, surgiu com a ideia do Lady Driver.

 

O aplicativo, que funciona na cidade de São Paulo, é para passageiras e motoristas mulheres. Afinal, as próprias motoristas sofrem preconceito e abusos no mercado tradicional. Aposto que diversas mulheres deixaram de se cadastrar no Uber ou outros aplicativos por medo.

 

Existem algumas reclamações sobre o sistema do aplicativo, como, por exemplo, travar com frequência. Mas é importante que a gente use esse tipo de serviço para aumentar a demanda e, assim, conseguirmos melhorias.

 

Femitaxi

UBER PARA MULHERES - FEMITAXI

A ideia é semelhante ao Lady Driver, mas esse aplicativo também tem a opção “crianças desacompanhadas”. Fazendo um agendamento prévio, os pais podem pedir um táxi, guiado por uma mulher, com câmeras e localização, para deixar seus filhos onde precisam.

 

Esse serviço específico só funciona em São Paulo, mas o Femitaxi também está em Campinas, Goiânia, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em relação ao Lady Driver, o aplicativo tem mais reviews boas no Google Play.

 

Além destes, você encontra:

➳ Venuxx em São Paulo e Porto Alegre

➳ Femini Driver em Porto Alegre

➳ Lady’s Taxi em Belém

➳ Divas For em Fortaleza

 

Esses serviços são, sim, necessários quando toda vez que uma mulher entra em uber ou táxi sente ansiedade e insegurança. Senta no banco de trás, colada na porta. Fica de olho no trajeto pelo celular o tempo todo e manda print da placa para a mãe, tio e namorado. Quando sabemos que não podemos confiar no motorista e com o mínimo desvio da rota já ficamos preocupadas se chegou a nossa vez de virar estatística.

 

Força, Clara. E força para todas as mulheres que um dia passaram por isso.

 

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8 janeiro, 2016

Eu estava em uma praça na pequena cidade de Winter Park, próxima a Orlando. Procurei um lugar mais isolado para sentar e fiquei descobrindo a minha câmera nova, enquanto esperava pelos meus pais. Logo a minha frente, uma mulher dividia a sua atenção entre o bebê no carrinho e a criança correndo no gramado. Alguns minutos depois, o pai, ou ao menos foi o que pensei, chegou para fazer companhia às garotas. Um homem sozinho estava sentado no próximo banco de madeira e o barulho do trem em intervalos regulares anunciava que outras pessoas estavam chegando.

 

Ver esquilos andando por aí é algo tão incomum para quem mora em São Paulo que, logo, eu me permiti observá-los por um bom tempo. Eles corriam, subiam nas árvores, se enfiavam onde não eram chamados, mas se assustavam quando alguém chegava muito perto.

 

Good morning, eu ouvi de repente. Levantei o rosto e notei dois homens uniformizados em um carrinho elétrico. O que havia me cumprimentado tinha os cabelos brancos, um boné azul e um sorriso no rosto. Sorri também. Mas receosa e irônica, dando a entender que não queria contato.

 

How are you today? Fiquei me questionando onde aquele senhor pretendia chegar. Comecei a mexer no cabelo e, automaticamente, empurrar o corpo para trás, o máximo que eu conseguia. Respondi um simples, curto e grosso fine.

feminismo - simpatia masculina - o dia em que um homem foi simpático

Ele riu. Just fine? O outro homem ao seu lado começou a mexer em um aparelho. Olhei ao redor, para me certificar de que eu não estava sozinha. Notei que a questão não é que eu não gosto de conversar com estranhos. A questão é que eu não gosto de conversar com homens estranhos. Independentemente do lugar, do país, percebi que a minha primeira reação quando um homem se aproxima é me afastar.

 

Yes, just fine. Respondi torcendo para que ele fosse embora. Nenhum homem para o seu trabalho para cumprimentar uma garota sozinha com cara de turista. Nós estávamos a alguns metros de distância, mas eu me sentia com cada vez menos espaço. Ele riu novamente.

 

Have a Merry Christmas! O volante do carrinho virou e ele continuou seguindo pela praça. Consegui retribuir com um you too e, finalmente, soltei o meu corpo no banco. Sempre tenho dúvidas em relação à qualquer homem no universo. E tenho mais receio ainda de homens velhos e, pior, desconhecidos. Talvez, porque eles achem que estão no direito de nos tratar como bem desejarem.

 

O pai, que antes brincava com a criança, se despediu. O senhor, que começou a conversa comigo, o cumprimentou enquanto ele subia a praça. O mesmo senhor, metros depois, começou a conversar com o homem sentado sozinho no próximo banco. Com o mesmo sorriso. Os mesmos gestos. Mais à frente, também falou com um casal, que respondeu com muita animação.

 

Me senti culpada por não ter falado como deveria, por não ter sido amigável. Talvez, o senhor realmente tenha sido apenas gentil. Simplesmente porque queria, sem segundas intenções. Percebi, então, que a minha desconfiança por ser mulher ultrapassa tudo isso. Lembrei de todas as vezes em que eu pensei que um homem estava sendo educado e um sorriso meu foi o suficiente para que ele pensasse que eu estava lhe dando toda liberdade do mundo.

 

Não. Não é minha culpa. Na verdade, é culpa dos amigos daquele senhor que, quem sabe, assediem verbalmente mulheres na rua. É culpa do seu tio que, provavelmente, se sentia como dono da esposa e por isso a agrediu. Culpa daquele primo distante que estuprou uma adolescente. Ou do neto que colocou fotos íntimas da ex-namorada na internet. Culpa dos outros homens que passam por aquela praça e nos veem como seus animais submissos. E culpa daquele senhor por ser homem.

 

Eu perdi a chance de me desfazer dessa máscara de mulher grossa, pronta para chamar a polícia ou te chutar no meio das pernas caso você se aproxime. Perdi. Mesmo que por alguns segundos. Só que não é minha culpa. Nunca foi.

 

Voltei para São Paulo e percebi que essa cidade me ensinou a ser assim. Que o vendedor na rua gritando que sou gostosa, o velho na esquina que fez um barulho nojento quando passei, o adolescente com as pernas abertas no banco do metrô, o caixa do cinema que olhava para o meu decote, o professor que desrespeitou uma aluna, o cara da balada que ficou com a mão em mim enquanto eu falava “não”… Eles são culpados. Eles são culpados por eu achar que não existe mais gentileza entre desconhecidos e que é impossível um homem querer ser apenas simpático.

 

Mas aquele habitante de Winter Park foi… E me mostrou quão cruel é viver em um mundo que faz com que você sinta medo de um senhor te desejando feliz natal.

 

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