17 outubro, 2016

Eu nunca tinha parado para pensar o quão problemático é o discurso de certas mulheres ao afirmarem “tenho mais amigos homens” ou “só sou amiga de homens”. Isso veio a minha mente quando cheguei a conclusão de que amigo homem mesmo, sem ser colega, eu tenho um. E ele é gay. Fiquei incomodada por alguns segundos pensando que eu estava errada em não me aproximar dos caras, que o problema era comigo, mas depois percebi que, na verdade, errado é o receio que as mulheres têm de se relacionar com outras mulheres.

tenho mais amigos homens

No auge dos meus 14 anos, a minha rede de amigos era bem mista, isso porque, dentre algumas das razões, eu ainda reproduzia machismos, logo, tolerava certos comentários, piadas e atitudes. Com o passar do tempo, isso mudou. A vida aconteceu, os meus amigos homens se afastaram e eu me vi cercada de outros caras que eu simplesmente não conseguia criar um vínculo porque eram realmente babacas ou porque a cada três frases, uma eu achava problemática. Talvez eu frequente os lugares errados, talvez eu seja muito introvertida, mas a minha facilidade em fazer amizade com mulheres é infinitamente maior do que com os homens.

 

Luana, isso é uma particularidade sua, tem mulheres que se identificam mais com homens. Sim, tudo bem. Eu também acho que isso pode acontecer. Até porque é uma questão de personalidade, não sexo/gênero. Mas vamos parar para pensar: qual é o argumento para que essas mulheres (ou a sua maioria) digam que se identificam mais com homens? Normalmente, são as clássicas frases que instigam a rivalidade feminina. Mulheres são frescurentas, fofoqueiras, cobras, invejosas, briguentas, falsas, recalcadas etc, etc, etc.

 

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girls-friends

Eu nunca tinha parado para pensar o quão problemático é o discurso de certas mulheres ao afirmarem “tenho mais amigos homens” ou “só sou amiga de homens”. Isso veio a minha mente quando cheguei a conclusão de que amigo homem mesmo, sem ser colega, eu tenho um. E ele é gay. Fiquei incomodada por alguns […]

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6 maio, 2016

Sabemos que o preconceito, muitas vezes, está nos detalhes. Em uma piada no bar, na propaganda, em uma hashtag no instagram e em um gesto qualquer. Pensando nisso, separei 5 expressões preconceituosas usadas no dia a dia que precisamos parar de falar para ontem. Porque de inofensivas elas não têm nada! 

 

VADIA (E DERIVADOS) ♥

 

Expressões preconceituosas usadas no dia a dia - Expressões machistasPercebam que quando você vai xingar um homem de, por exemplo, filho da puta, você está xingando a mãe dele, uma mulher. Um xingamento totalmente sexista e ofensivo. Nós ofendemos os homens oprimindo mulheres. Outro exemplo é quando usam xingamentos como viadinho para que a pessoa se sinta ofendida por se desviar da heteronormatividade ou ter comportamentos “afeminados”. Ser mulher é sempre um problema.

 

Mas, além disso, existem xingamentos como vadia, vabagunda, vaca, piranha, entre outros, que precisam ser desconstruídos e excluídos do nosso vocabulário agora, now, imediatamente! Há tanta, mas tanta, coisa errada por trás dessas palavras. Primeiro, cria-se a imagem de que existem mulheres certas e mulheres erradas. Mulheres de valor e mulheres sem valor. Há mulheres que merecem respeito, outras que não. Opa, opa, alerta vermelho! Muito vermelho.

 

Depois, você percebeu como nós somos sempre as erradas? Quando traímos, saímos à noite ou simplesmente beijamos alguém em um lugar público. Nós somos as vadias. Somos vadias por usar a roupa que queremos, amar o nosso corpo, por sermos seguras, empoderadas, livres.

 

Por fim, o pressuposto básico: sororidade. Nós somos tão oprimidas todos os dias pela sociedade inteira, por que vamos fazer isso uma com as outras? Eles querem que a gente se separe, querem instigar rivalidade, mas, você, mulher, que está lendo isso, saiba que minha fé está em você (te falo mais sobre isso aqui!). E na nossa força. Porque você me entende. 

 

Há um tempo entendi o quão errada eu estava em chamar qualquer menina de vaca por beijar mais de quatro caras em uma noite, ou usar uma saia curta, ou seja lá o que for. Não alimente a competição, nós estamos a favor uma das outras. Não somos rivais. Somos irmãs. E quando você enxerga isso, acredite, aí, sim, você encontra um porto seguro (pensando nisso, vem entender qual é o problema da frase “tenho mais amigos homens”).

 

MULATA ♥

 

Primeiro: esse é um termo escravocrata. Ele começou a ser usado durante o período escravagista brasileiro para se referir aos filhos de negras com brancos. Principalmente, de escravas com senhores – em relacionamentos não consensuais. Sua origem vem da palavra “mula”, o animal resultante do cruzamento de um jumento com um cavalo. Era como uma classificação a parte, para aqueles que eram o resultado de uma relação vista como anormal.

 

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feminismo expressões5

Sabemos que o preconceito, muitas vezes, está nos detalhes. Em uma piada no bar, na propaganda, em uma hashtag no instagram e em um gesto qualquer. Pensando nisso, separei 5 expressões preconceituosas usadas no dia a dia que precisamos parar de falar para ontem. Porque de inofensivas elas não têm nada!    ♥ VADIA (E DERIVADOS) ♥ […]

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20 abril, 2016

babacas com boas referências

Preparem-se: esse post é um desabafo.

 

Normalmente, na primeira aula de um professor, sempre rola uma dinâmica básica: seu nome, o que você gosta, quantos anos você tem, porque escolheu o curso… E até aí, tudo bem. Mas entre em uma sala de jornalismo (e tantas outras salas simbólicas) e pergunte “qual o seu livro ou filme favorito?”. Aí de mim se responder Miley Cyrus e High School Musical. Ops. Quer dizer, aí nada! Demorei dois anos para desconstruir isso e entender que, não, mon amour, você não é melhor porque seu livro preferido é do Nietzsche – que, inclusive, eu precisei pesquisar para escrever.

 

Acho ótimo você se interessar pelos clássicos, Samuel Beckett, filmes independentes, Kubrick, e todo esse blábláblá underground, fora da indústria cultural (como eu cansei de escutar isso no jornalismo, socorro!), alternativo, que não tem espaço na mass media. Cara, parabéns, sério mesmo. Eu também tenho o meu lado que procura, analisa e tem curiosidade por coisas diferentes. Só que entenda uma coisa, é simples, eu juro. Dane-se. Ninguém quer saber. Ninguém se importa. Você não subiu dois degraus na escada da vitória por entender Kafka e escutar só MPB.

 

Eu entendo que temos gostos diferentes. Eu gosto de pop, você de rock. Eu gosto de terror, você de drama. O problema, no entanto, começa quando você subestima e inferioriza outras pessoas porque elas gostam de One Direction, livros chick-lit ou filmes de comédia romântica com a Jennifer Aniston. Quando você chama essas pessoas de alienadas ou diz que elas não têm cultura.

 

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kaboompics.com_Girl with book (2)

Preparem-se: esse post é um desabafo.   Normalmente, na primeira aula de um professor, sempre rola uma dinâmica básica: seu nome, o que você gosta, quantos anos você tem, porque escolheu o curso… E até aí, tudo bem. Mas entre em uma sala de jornalismo (e tantas outras salas simbólicas) e pergunte “qual o seu […]

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