8 Janeiro, 2018

No último ano, não me aproximei do feminismo, devo admitir. Não participei de grupos, manifestações, rodas de conversa ou busquei qualquer tipo de informação aprofundada sobre o assunto. Conversei, sim, com algumas amigas sobre o nosso papel nessa luta e passei por textos e vídeos que chegaram aos meus olhos ao acaso.

 

Isso, porém, não me torna menos feminista. Não estou aqui para ser fiscal da militância alheia ou dizer o que você deve fazer para se considerar uma feminista. Mas eu acredito, que assim como eu, muitas gostariam de se sentir mais pertencente e mudar algo de fato, deixando de apenas compartilhar posts simbólicos no facebook ou discutir com macho na mesa de bar.

 

Pensando no que eu poderia fazer pelo feminismo neste novo ano, surgi com essa listinha. O feminismo me ajudou muito a mudar comportamentos negativos e entender quem eu sou, o mínimo que eu posso fazer é me agarrar a ele e não deixar que tudo isso seja em vão.

 

5 coisas que você pode fazer pelo feminismo este ano

 

Montar um grupo ❤

Com as suas vizinhas, colegas na faculdade, primas, amigas, enfim, onde há mulheres, há a chance de conversar sobre feminismo. Crie uma rede de apoio, de debate, de afeto. A força que temos quando nos unimos é imensurável.

 

Eu lembro como eu me senti na minha primeira Marcha das Vadias, rodeada de mulheres gritando pela autonomia dos nossos corpos e das nossas vidas. Era como um grande abraço, quentinho e cheio de amor, enquanto todo meu ser era preenchido pela certeza de que eu não estava sozinha. Porque nós nos entendemos, temos empatia uma pela outra, sabemos o que é ser mulher na rua, em casa, no trabalho.

 

Um grupo não serve apenas para escolher o texto da semana e discutir de uma forma acadêmica. Um grupo de mulheres unidas, compartilhando vivências, conselhos e opiniões é revolucionário.

 

Acumular conhecimento 

 

Precisamos entender a história para saber onde queremos chegar e o que temos que fazer para isso. Jornalista formada que sou, sei a importância de se manter atualizada e acumular conhecimento.

 

Feminismo é, sim, muita vivência, mas também tem dados, evolução história, momentos marcantes, notícias, artigos e por aí vai. Além de nutrir a alma, é uma ótima maneira de ter argumentos novos para sustentar ainda mais os seus ideais.

 

Não precisa seguir todo o blábláblá do elitismo acadêmico. Tem livros, canais no youtube, músicas, páginas no facebook, blogs, um mundo de possibilidades na hora de aprender mais sobre o feminismo.

 

Minha meta desse ano é, por exemplo, finalmente, ler O Segundo Sexo. De nada adianta ele estar enfeitando a estante e gritando feminista a quem me visita se eu sei o que tem apenas em duas ou três páginas 😕

 

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O QUE FAZER PELO FEMINISMO

No último ano, não me aproximei do feminismo, devo admitir. Não participei de grupos, manifestações, rodas de conversa ou busquei qualquer tipo de informação aprofundada sobre o assunto. Conversei, sim, com algumas amigas sobre o nosso papel nessa luta e passei por textos e vídeos que chegaram aos meus olhos ao acaso.   Isso, porém, […]

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29 agosto, 2017

Esse post estava no meu drive há cerca de dois meses. Nunca o terminei, por preguiça e ir encontrando outras temas mais relevantes. Mas depois do que aconteceu com a Clara dentro de um Uber, esse post se fez necessário.

 

Recomendo passear na hashtag #MeuMotoristaAbusador no facebook para entender como ser mulher é viver constantemente com medo. De sair à noite, de voltar sozinha para casa, de usar certa roupa, de dizer não e, agora, até mesmo de andar de uber ou táxi.

UBER PARA MULHERES - MEU MOTORISTA ABUSADOR

Sei bem como é ficar apreensiva pegando um serviço de transporte particular de madrugada, depois de uma festa ou se sentir incomodada com comentários desnecessários dentro do carro. Nunca passei por situações piores, que envolveram algo físico ou outras formas de abuso, mas sei de muitas que passaram por isso.

 

Chegou a hora de quebrar o silêncio, mulheres.

 

Até mesmo nas situações em que deveríamos nos sentir seguras (dentro de casa, da escola, do hospital, de um táxi) temos que nos preocupar e estamos vulneráveis à violência. O mundo é um lugar horrível para ser mulher, disse a Clara. Mas ainda resta a força e a empatia umas das outras para nos apoiar e tentar mudar alguma coisa.

 

E esse post é um lembrete de que existem serviços alternativos para que você, mulher, se sinta mais segura.

 

Opção “motorista mulher” no 99 táxi

 

Esse é um aplicativo tão conhecido quanto o Uber, apesar de ter mais funcionalidades. Ele foi um dos primeiros que usei, mas acabei deixando de lado porque o Uber costuma ter o preço menor. Pena que o Uber erra cada dia mais no serviço.

 

De qualquer forma, na hora de pedir uma corrida no 99, você consegue escolher a opção “motorista mulher”. E funciona. Pode demorar mais para achar alguém por perto, mas, pelo menos, você não se sentirá receosa de entrar sozinha no carro.

 

Porque só quem é mulher sabe o alívio que é encontrar outra mulher.

 

Lady Driver

UBER PARA MULHERES - LADY DRIVER

Um aplicativo criado justamente após uma mulher ser assediada dentro de um táxi. Isso aconteceu com Gabriela Correa e desde aquele dia decidiu que nenhuma mulher deveria passar pelo mesmo. Por isso, surgiu com a ideia do Lady Driver.

 

O aplicativo, que funciona na cidade de São Paulo, é para passageiras e motoristas mulheres. Afinal, as próprias motoristas sofrem preconceito e abusos no mercado tradicional. Aposto que diversas mulheres deixaram de se cadastrar no Uber ou outros aplicativos por medo.

 

Existem algumas reclamações sobre o sistema do aplicativo, como, por exemplo, travar com frequência. Mas é importante que a gente use esse tipo de serviço para aumentar a demanda e, assim, conseguirmos melhorias.

 

Femitaxi

UBER PARA MULHERES - FEMITAXI

A ideia é semelhante ao Lady Driver, mas esse aplicativo também tem a opção “crianças desacompanhadas”. Fazendo um agendamento prévio, os pais podem pedir um táxi, guiado por uma mulher, com câmeras e localização, para deixar seus filhos onde precisam.

 

Esse serviço específico só funciona em São Paulo, mas o Femitaxi também está em Campinas, Goiânia, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em relação ao Lady Driver, o aplicativo tem mais reviews boas no Google Play.

 

Além destes, você encontra:

➳ Venuxx em São Paulo e Porto Alegre

➳ Femini Driver em Porto Alegre

➳ Lady’s Taxi em Belém

➳ Divas For em Fortaleza

 

Esses serviços são, sim, necessários quando toda vez que uma mulher entra em uber ou táxi sente ansiedade e insegurança. Senta no banco de trás, colada na porta. Fica de olho no trajeto pelo celular o tempo todo e manda print da placa para a mãe, tio e namorado. Quando sabemos que não podemos confiar no motorista e com o mínimo desvio da rota já ficamos preocupadas se chegou a nossa vez de virar estatística.

 

Força, Clara. E força para todas as mulheres que um dia passaram por isso.

 

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17 julho, 2017

Toda vez em que penso em pautas para o Entre Anas, surge na minha cabeça o pensamento: faz tempo que eu não falo sobre feminismo, deveria escrever algo sobre o assunto. Minutos passam, os dias se vão e nenhum tópico me parece interessante. Mas eu sei o motivo desse bloqueio criativo feminista. Eu me afastei. Faz meses que não leio um texto sobre feminismo, vejo algum vídeo (exceto da Louie, mozão) ou sequer paro para questionar determinado acontecimento, fala, livro, seriado, seja o que for.

 

Eu sei que não posso parar de pensar, problematizar (mesmo pegando birra dessa palavra), duvidar, perguntar, debater, contestar e todos outros verbos que caibam aqui e possam me fazer evoluir como pessoa. O problema é que me faltava motivação para tirar esses verbos do amanhã, do possivelmente, e colocá-los em prática no dia a dia, pra valer. E esse post é justamente isso: um lembrete do porquê sempre que eu vou me auto-descrever feminista vem em primeiro lugar. Um lembrete das vezes em que o feminismo me ajudou. Como mulher ou como pessoa.

 

Aqui estão as 7 vezes que o feminismo me mostrou que não posso desistir dele ou de mim mesma:

 

Obs: a referência ao livro da Sara Winter não é coincidência.

7 VEZES QUE O FEMINISMO ME AJUDOU

1 – Quando entendi que não precisava de aprovação masculina.

 

Para moldar minha opinião. Mudar a cor de cabelo. Ou me sentir parte de uma roda de amigos. Eu não preciso de aprovação masculina para me sentir bem, importante e inteligente. Eu não preciso da seção o que eles acham em revistas femininas, de cantores falando sobre o quanto eu sou linda de manhã ou textos do Gregório Duvivier. Eu não preciso de você perguntando mas o que o seu pai acha ou seu namorado, deixa? Eu não preciso de aprovação masculina para nada.

 

Já falei um pouco sobre o tema nesse post, onde explico porque não converso mais sobre feminismo com homens. Mas o fato é que essa necessidade de aprovação masculina que tentaram nos enfiar goela abaixo desde que nascemos é o que nos impede, muitas vezes, de ir para frente, de ser quem somos e de nos (re)descobrirmos como mulheres.

 

Nos impede de mudar de emprego, de deixar os pelos da perna crescerem, de viajar sozinha, de dançar sem vergonha, de dar sua opinião sem receios, de ocupar espaços predominantemente masculinos, de comer dois pedaços de torta, de sair à noite, de tantas infinitas coisas que nos prendem e nos calam.

 

Eu entendi, ainda bem, que sou minha dona. Que não tenho que agradar nenhum macho para estar certa. E que antes de qualquer sonho, desejo ou decisão não há nada que me prende. Muito menos essa tal de aprovação masculina.

 

2 – Quando parei para pensar se a situação me pedia por sororidade.

 

Principalmente em meus relacionamentos. Eu me deparei com três outras. Outras três mulheres que de certa forma bagunçaram o que era sólido. Não por culpa delas. Mas porque, simplesmente, apareceram — ou foram puxadas para dentro da bagunça.

 

Na primeira ocasião, eu ainda era uma adolescente idiota. Pois é, essa é a palavra. Trocamos farpas, agressões verbais e indiretas sem sentido. Tudo por um cara que não valia nem um centavo sequer. Não valia nosso esforço e muito menos nossa briguinha infantil. Não valia a rivalidade que se instalou entre duas mulheres que, facilmente, poderiam ser amigas fora daquele contexto.

 

Na segunda, eu me vi mais consciente. Já sabia o que era feminismo, mas pouco havia pensado sobre sororidade. No fim, ainda me arrependo de certas atitudes. Não houve indiretas no twitter ou xingamentos desnecessários. Mas ainda me arrependo de ter culpado a garota pelo meu sentimento de rejeição e insegurança. De ter a culpado por toda bagunça emocional que se instalou. Porque quando você está com alguém e uma outra pessoa surge, se esse alguém te troca, te trai ou te magoa, foi escolha dessa pessoa, não dá outra que surgiu. A outra não tem um compromisso com você, afinal.

 

Na terceira, a sororidade falou mais alto. Não a culpei. Não tentei mostrar meu descontentamento de todas as formas. Na realidade, eu queria sentar e conversar com ela. Entender o outro lado. Pena que eu descobri que sororidade e caráter são coisas diferentes — que valem um post futuro. Eu posso ter sororidade na medida em que não a chamo de vadia ou seja lá o que for, mas não posso aceitar falta de respeito ou de bom senso, entendem?

 

Fato é que eu me controlei muito. Eu pensei antes de falar e de fazer. Essas histórias, porém, são só exemplos. Na rua, nas brincadeiras, nas discussões de facebook, na vida. Eu passo a ponderar e entender quando a situação me pede por sororidade. E, agora, isso é algo muito mais natural para mim. Se você ainda ainda não sobre como ter sororidade, vem cá!

 

3 – Quando eu vejo casais brigando e paro tudo que estou fazendo. 

 

Porque, hello, em briga de marido e mulher a gente mete sim, e muito, a colher. Toda vez que vejo um homem e uma mulher discutindo em público em um tom mais elevado, eu paro. Fico observando até a briga acabar ou abafar. Deixo o cara perceber que tem gente olhando para que ele não tenha a coragem de levantar um dedo sequer. Para que ele perceba que é um imbecil.

 

Uma vez vi uma garota no metrô tentando ir embora e seu, suposto, namorado, simplesmente não deixava. Gritava, a segurava pelo braço, impedia que subisse a escada com a amiga que estava de coadjuvante na situação. Eu intervi e perguntei se ela queria que eu a acompanhasse para ir embora. Ela disse sim e o cara, mesmo assim, continuou causando. Me xingou, pulou o corrimão da escada para tentar bloquear a saída, enfim, se achando dono da garota.

 

E sabe o que o segurança fez quando disse o que estava acontecendo? Nada. É aquela velha história: disappointed, but not surprised. Felizmente, a garota conseguiu subir com a amiga um tempo depois e foi embora. Sem o cara.

 

Não me interessa se a garota fez algo errado ou se ela também estava gritando. Em situações como essa, a chance da mulher sair com um hematoma não é pequena. A chance de seu psicológico ser afetado e manipulado é alta. Então, se eu puder, vou intervir em toda e qualquer briga mais feia que acontecer na minha frente.

 

4 – Quando eu passei a questionar a feminilidade.

 

Eu não saia de casa sem maquiagem. Passei muito tempo acreditando que precisava ter o cabelo longo e loiro para ser bonita, medindo semanalmente a grossura da minha perna e fazendo as unhas só porque nossa, nem parece uma mulher desse jeito. Me rendi à progressiva, as roupas que, teoricamente, valorizam meu corpo e a nóia de ter a bunda perfeita.

 

Mas eu ainda sou muita feminina — dentro do que a sociedade considera feminilidade. O que mudou foi a minha forma de enxergar minha relação com a vaidade, meu corpo e minhas escolhas. Hoje, por exemplo, eu ainda amo maquiagem, mas posso ir à padaria de cara limpa. Ainda me preocupo com meu corpo, mas aceito as estrias, as celulites e a pele não tão firme que veio junto com ele. Eu deixei de fazer as unhas, corto o cabelo sem medo e disse adeus ao alisamento.

 

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Toda vez em que penso em pautas para o Entre Anas, surge na minha cabeça o pensamento: faz tempo que eu não falo sobre feminismo, deveria escrever algo sobre o assunto. Minutos passam, os dias se vão e nenhum tópico me parece interessante. Mas eu sei o motivo desse bloqueio criativo feminista. Eu me afastei. […]

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